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ARTIGO | Não há omelete sem quebrar ovos

publicado em 24 de outubro de 2016

Mais propagada do que nunca, a dificuldade financeira em que se encontra o país e Mato Grosso jamais foi tão óbvia aos olhos da população. Heranças consideradas malditas às duas esferas de governo são do conhecimento de todos sem a menor sombra de dúvida. Ponto. Agora, também já é sabido que não se pode mudar essa realidade se não houver uma comunhão de esforços. Vou redundar: a coletividade precisa estar seriamente empenhada em dar os passos necessários para que saiamos, todos, desta situação. Não dá mais apenas para se lamentar e adotar alternativas paliativas sem as devidas medidas enérgicas que a situação exige.

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Em se tratando de Mato Grosso, são claras, para mim, as formas de sair deste cenário. A primeira: arrecadar de maneira eficiente sem que parte do montante escorra entre os dedos em hipótese alguma, ou seja, sem permitir qualquer tipo de sonegação. Neste quesito, o setor agropecuário do Estado vem fazendo o dever de casa com primazia e há anos. Com a última medida imposta, a dobra do valor arrecadado junto aos produtores rurais de Mato Grosso para o Fundo Estadual de Transporte e Habitação, o Fethab, a contribuição de um sojicultor aumentou quase sete vezes em relação ao que era recolhido em 2011. Subiu dos antigos R$ 3,53 por tonelada de soja para os atuais R$ 24,27.

Quem cultiva algodão pagava, há cinco anos, R$ 3,77 sobre a tonelada da pluma. Hoje, são R$ 25,86, também sete vezes mais, aproximadamente. O mesmo se passa com o pecuarista, que pagava R$ 4,33 sobre cada boi em pé em 2011 e, agora, contribui com R$ 29,70. E tudo isso sob o argumento do governo de que, sem esses valores, não haveria nenhuma possibilidade de investimento em obras de rodovias, tão necessárias ao Estado e para toda sua população, que atravessa distâncias continentais em busca de serviços.

Segunda medida: está na hora de cortar na carne com foice. A reforma administrativa tarda. Em momento de crise, adota-se medidas cruciais como fechamento de autarquias, extinção de gabinetes especiais, fundição de Pastas e adiamento de eventos pirotécnicos. Tá na hora de cortar, repito, enxugar de fato. Não é hora de realizar concurso público para inchar ainda mais a máquina. Foco nos serviços essenciais: manutenção de rodovias, saúde, educação, cuidados com sanidade animal e vegetal, além de segurança pública. Trabalhar com o que existe, sem conjecturar.

Terceiro ponto: fazer com que o Estado caiba dentro de sua realidade. Garantir serviços públicos de qualidade é atribuição do governo e isso não pode significar deixar de lado a eficiência financeira sob qualquer custo. Mato Grosso não pode ser maior do que sua receita comporta. Para isso, é necessário rever benefícios e benesses, penduricalhos que não o cabem, sobretudo no atual momento.

Enfim, não há como fazer omelete sem quebrar os ovos. Se todos querem emergir da atual situação, as providências necessárias têm que ser tomadas de uma vez por todas. E o governo, a quem o mato-grossense confiou a gerência de seu Estado, precisa dar os passos essenciais: gerir melhor seus recursos, enxugar a máquina e ser cirúrgico ao prestar seus serviços. Cobrar o devido é necessário, mas não é a única estratégia para virar o jogo.

*Rui Prado é veterinário, produtor rural e presidente do Sistema Famato/SENAR-MT

Fonte: Famato

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